Nós que gritamos pela janela

09 de outubro de 2020

No último mês estive focado na divulgação do livro “Pessoas Extraordinárias” e isso inclui responder as mensagens que tenho recebido sobre a leitura de vocês. Com profunda sinceridade não existe satisfação igual a essa. É pra isso que a gente faz, né? Tá, não é 100% por isso, mas provavelmente é metade do motivo pelo qual coloco uma coisa no mundo. Comunicação. De que adianta gritar pela janela e ninguém ouvir?

Pois, como eu ia dizendo, no último mês me concentrei mais no rolê do livro novo do que na criação de conteúdo inédito para ser publicado aqui ou nas redes sociais.

Daí que isso me fez notar uma coisa estranha.

Tenho percebido um cansaço em muitos criadores de conteúdo. Alguns deles estão falando sobre isso, já outros continuam postando como se nada estivesse acontecendo mas é perceptível a insatisfação em seus olhos. Alguns estão desistindo, alguns estão dando um tempo, alguns estão mudando tudo ou começando do zero novamente.

É fácil cair na armadilha das mídias sociais. Quem aí não experimentou a onda de dopamina que é disparada a cada curtida, comentário, novo seguidor, ou o abatimento quando isso não acontece como o esperado?

Todo mundo que trabalha com conteúdo descobre isso mais cedo ou mais tarde: a nossa ferramenta de trabalho traz uma amardilha em seu sistema. Ela diz que a forma mais “eficiente” de aumentar o engajamento é via um botão chamado “Promover”. Só que isso custa dinheiro e não é tão eficaz quanto você pensa. E vicia. Não o usuário, mas o algoritmo que foi programado para entender que se você promoveu um post uma vez, então pode promover mais uma, mais duas, quem sabe várias vezes, e por isso ele deixa de disseminar seu conteúdo ao menos que você clique nesse mísero botão novamente.

Tudo isso gera um cansaço tremendo.

O alcance é algo que importa para todos nós, afinal, queremos falar com mais pessoas, isso nos satisfaz, nos sentimos menos sozinhos, sentimos que encontramos uma razão pra fazer o que fazemos, sem que ninguém tivesse nos pedido por isso. É metade do motivo pelo qual colocamos uma coisa no mundo. Comunicação. De que adianta gritar pela janela e ninguém ouvir?

Mas o que percebi nessas semanas sem criar nada novo, exceto espalhar meu último projeto para que ele fosse alcançado por aí, é que o que importa de verdade não é ter cem, duzentos, dois mil, dois milhões de seguidores, o que importa mesmo são aquelas três, ou cinco, ou quem sabe dez pessoas que te retornam, que respodem o seu grito na janela.

Eu sou um artista. Adoro ler, escrever, desenhar. Preciso me expressar. É por isso que estou aqui. E se você gosta do que eu faço, e está lendo isso, obrigado por estar aí.