Arte Boa vs Arte Popular

11 de fevereiro de 2021

Arte

Existe um eterno debate sobre se a arte, pra ser boa, não pode ser popular, ou se é popular não é boa. “Boa” aqui é um critério dado pelos próprios artistas, críticos e elite cultural. Verdade que nem sempre essas coisas andam juntas, mas foram nas poucas vezes em que se juntaram que criaram uma tentação nas cabeças de artistas: Beatles, Caetano, Clarice… exemplos que definiram parâmetros de prestígio.

A arte de massa é formada por produtos da indústria cultural que não se aprofundam em conteúdo ou linguagem, que se destinam à sociedade de consu­mo, ao “gosto médio”, a um público passivo que tem como interesse se divertir.

Têm artistas que olham torto para isso pois acreditam que “arte de verdade” é outra coisa.

Arte “boa” é a que tem valor estético para um público com sensibilidade treinada, que desenvolve a linguagem artística, que oferece ao público uma mudança no modo de ver o mundo e que geralmente envolve a expressão pessoal do artista.


Artista, o louco

Certa vez Allen Ginsberg se apresentou num programa de TV chamado “Firing Line” cantando uma música Hare Krishna. Depois voltou a Nova York, cidade onde morava, e aos seus amigos, artistas da vanguarda e contracultura, poetas da “boa” arte, e todos disseram a ele:

— Sabe que todo mundo que te viu na TV está te achando um idiota e tirando sarro de você?

Ginsberg respondeu:

— Esse é o meu trabalho. Sou poeta e vou bancar o louco. A maioria das pessoas trabalha o dia todo, volta pra casa, janta, briga com o esposo ou a esposa, liga a TV e alguém está tentando vender algo, e eu acabei atrapalhando tudo isso. Eu me apresentei e cantei sobre Krishna. Agora o casal está na cama dizendo “Quem era aquele poeta maluco?” E agora eles não conseguem dormir.

Esse era o trabalho dele como poeta.

E acho isso muito libertador, porque muitos de nós queremos oferecer algo ao mundo, algo com qualidade, algo que o mundo considerará bom ou importante. É aí que está o inimigo, pois não depende de nós se o que fazemos é bom. A gente só precisa fazer.


Arte Boa vs Arte Popular

Se alguém me pedir um conselho eu direi para não se importar com nenhuma dessas duas coisas. Para fazer o que tiver vontade de fazer, o que for mais fiel à você mesmo (muitas vezes as histórias mais íntimas são as mais universais). E vai de cabeça, sem se preocupar com o julgamento dos outros. No fim acho que toda arte encontra seu público. Todo livro um dia encontra seu leitor.

“Better to write for yourself and have no public, than to write for the public and have no self.” — Cyril Connolly