Projeto 2021 - Feito

29 de dezembro de 2021
Arte

No primeiro texto de 2021 escrevi que pretendia me desplugar das redes sociais para me dedicar mais à plataformas que possibilitassem ir além dos 5 segundos de atenção. "Publicar mais livros, fazer mais entrevistas, conversas, investir mais tempo no podcast e na newsletter. São os planos para a agenda de trabalho de 2021."

Não era uma promessa, nem mesmo um compromisso, era um desejo, um projeto de estudos e trabalho pessoal. Poderia não ter feito nada disso e tudo bem, não havia ninguém me obrigando a nada. Agora, relendo o que escrevi, percebo que não prometi nada que já não estivesse acontecendo. Quero dizer, eu estava cansado da dinâmica das redes sociais, a tal da ressaca digital, e estava navegando pela internet em busca de absorção de conhecimento ao invés de passar o tempo ou entretenimento.

Dito e feito. Neste ano escrevi mais do que nos anos passados. Textos pro blog e pra newsletter foram meu foco principal, mas também lancei um podcast solo, gravando uma temporada completa e o início da segunda.

Em um dos últimos textos publicados por aqui, questionei as diferenças de se produzir conteúdos rápidos que desaparecem em segundos (feitos para alcançar centenas de pessoas) de conteúdos mais densos que levam mais tempo para serem feitos e absorvidos (e alcançam menos pessoas). Cheguei agora ao fim do ano contente de ter concentrado meu tempo nesta segunda categoria. Os textos estão aí e poderão vir a tornar-se um livro um dia. O podcast está aí e pode ser escutado a qualquer momento e mais de uma vez. Isso aqui não é uma empresa, não pago as contas com o que escrevo ou crio em qualquer um desses lugares. Não sou nenhum expert nessas coisas que escrevo e falo. Sou alguém que aprende enquanto está fazendo. Faço anotações das coisas que leio, vejo, escuto e então compartilho o conhecimento que tenho aprendido. Aqui vocês acompanham "ao vivo" essa busca por ideias e o aprendizado se multiplica na troca de comentários com quem lê e responde.

Te digo que é muito mais recompensador do que as redes sociais. A estética e a infraestrutura das redes sociais são feitas para o desperdício. Você abre o aplicativo do Instagram pensando que só vai ver uma coisa rapidinho (afinal são videozinhos curtos) aí quando você se dá conta passou meia hora assistindo dezenas de vídeos sobre nada, viagens do ego de cada um, e no final você está se sentindo um pouquinho mais triste e sozinho do quando abriu o app.

Espero estar conseguindo proporcionar aqui o oposto disso. Porque sinto que ganho mais com esse tipo de troca. Por isso pretendo seguir nesta toada no próximo ano. As coisas que escrevo aqui e nesses outros canais são de graça, mas têm um custo pra mim. Isso interfere diretamente na quantidade de conteúdo que crio e compartilho. Portanto, se o trabalho que você vem acompanhando tem te servido para alguma coisa, se tem sido útil, eu ficaria muito grato se puder compartilhar com as amizades ou se puder apoiar. Uma ação que é mínima pra você pode influenciar imensamente no meu processo criativo, me fazendo dedicar ainda mais à esses projetos, me possibilitando ter mais tempo para estudar e produzir. Isso significa que poderei fazê-los mais e melhor.

Pra fechar o ano, uma lembrança da Joan Didion que faleceu agora em dezembro: "Escrevo para descobrir o que estou pensando, para onde estou olhando, o que vejo e o que isso significa, o que eu quero e do que tenho medo."

Obrigado pela companhia e beijo no abraço.