Gênio quem?

06 de maio de 2022
Arte

Se eu não me engano, a figura do gênio surgiu durante a era romântica. Você sabe, aquele artista muitas vezes solitário, outras vezes cercado de gente, inquieto, que do nada emite uma frase brilhante ou que pega um instrumento e toca deixando todo mundo em silêncio, um poeta que fala um poema e cria uma espécie de eletricidade no ar, uma espécie de super humano que flutua acima de todas as outras pessoas, que parecia simplesmente tirar grandes ideias do ar, você sabe.

O que geralmente não é dito sobre esses artistas que consideramos gênios, que foram reconhecidos como gênios, é que se você pesquisar em suas biografias vai ver que muitos deles eram cercados por uma baita rede de pessoas, de contatos, e o tempo todo estavam sendo influenciados por eles, extraindo, roubando, pegando emprestado ideias das mais diferentes fontes.

Ninguém é "gênio" do nada. Ninguém é "gênio" sozinho.

Se foi na época romântica que a figura do gênio nasceu, foi na era moderna do capitalismo que ela se estabeleceu com seus super poderes. Capas de revista elegendo "O homem do ano", "O maior empresário do blablabla", e personagens como Steve Jobs, Zuckerberg, Obama, até vencedores do BBB, eleitos como heróis. (E aqui cito tudo no masculino e dou exemplos de homens porque na maior parte da história foi assim, sabemos o por quê).


Ninguém chega em lugar algum sem o trabalho de centenas, às vezes milhares de pessoas. Ninguém escala o Everest sozinho. Quanto mais a gente troca com outras pessoas, conversa e discute, mais capacidades têm do trabalho evoluir e ser capaz de fazer coisas que por algum motivo podem ser consideradas... errr.. geniais.

Mas no fundo sabemos que isso não importa, certo? Porque a gente sabe que o que interessa não é o resultado, mas sim o processo. E durante o processo, todo "gênio" duvida de si.