Ornitorrinco

ISBN: 9788542101249 | Editora: 7Letras | Ano de Lançamento: 2013 | Número de páginas: 170 | Capa: Lucas de Ouro / Fotos: Camilo Lobo

Este livro do ORNITORRINCO foi publicado em 2013, especialmente para uma turnê onde os colunistas viajaram para encontrar leitores e colaboradores do site. O livro reúne os melhores textos escritos pelo grupo desde o seu surgimento em 2011 até 2013.

Textos de Bruna Beber, Domingos Guimaraens, Emanuel Aragão, Franco Fanti, Gabriel Camões, Gabriel Pardal, Júlio Reis, Keli Freitas, Letícia Novaes, Maria Rezende, Ramon Mello e Vitor Paiva

Foto: Camilo Lobo

Prefácio do livro:

Minha ideia era muito simples. No ano de 2011 eu estava passando por mais um momento estranho na minha vida pessoal, essas coisas que a gente não sabe da onde vem e para onde vai, e escrevi um e-mail para um amigo lhe contando com toda verdade que eu achasse possível alcançar através da palavra escrita, sobre o tsunami que eu estava atravessando. Depois, pelo costume de compartilhar a própria desgraça, resolvi enviar esse mesmo e-mail para mais dois outros amigos. A partir daí pensei que seria importante se passássemos a escrever uns pros outros, e para mais outros, contando fatos pelos quais estávamos passando, o que estávamos pensando, textos que expusessem opiniões, reflexões, tanto sobre o macro quanto sobre o micro acontecimentos do nosso mundo. E por que não reunir todos esses e-mails em um só? Assim teríamos uma maior variedade de opinião sobre o mesmo assunto. Ou seja, reunir um pequeno grupo de umas sete ou oito pessoas para escrever de forma livre e pessoal sobre o que se está vivendo, e enviar por e-mail como numa troca de cartas entre dois conhecidos. Era uma ideia muito simples.

Convidei amigos e conhecidos. Meu critério era de que eu sabia que eles escreviam, e sobretudo gostava do que eles escreviam, e queria que eles escrevessem mais e que as pessoas os lêssem. A lógica: eu gosto do que eles escrevem e quero mostrar para vocês. Os textos por e-mail eram enviados quinzenalmente aos domingos para um grupo de assinantes, num documento de mais ou menos quatorze páginas de puro texto. Em uma sociedade carregada pela cultura da imagem, a internet sendo abastecida com bilhões de fotos, vídeos, ilustrações, minha proposta era criar uma coisa onde só valesse o texto puro e simplesmente. Quase como uma ilha no meio de tanto pixels.

O nome ORNITORRINCO não foi a primeira opção. Antes iria se chamar A COISA; também tinha REPÚBLICA; outro era ELEFANTE ATRAVESSANDO DESERTO; WYK; tinham outros que não me lembro, mas no momento em que pensei no nomeORNITORRINCO todos os outros caíram ladeira abaixo. Nada parecia fazer tanto sentido como o nome desse mamífero semiaquático ovíparo com bico de pato. Justamente porque estava se formando ali um grupo (?), coletivo (?), turma (?) de escritores (?), cronistas (?), artistas (?), um bando de gente envolvida com produção artistica de modo geral e, que, assim como eu, têm uma relação especial com a criação escrita.

O projeto nesse formato durou pouco mais de dois anos, chegando até a edição #050. Dois anos, onde quer que fôssemos estávamos pensando sobre o mesmo tema, separados ou juntos, estávamos conectados pela missão de desenvolver um texto a partir do mesmo assunto. O resultado, que você vai perceber aqui neste livro, é um mosaico, dada a variedade de percepções, pequenas partes diferentes formando um todo.

A vontade de publicar este livro surgiu após a conclusão da primeira versão doORNITORRINCO (atualmente ele funciona como site, atualizado regularmente e sem edições temáticas). Fiz uma seleção das dez melhores edições em que percebi a concepção original do projeto estando mais presente. E parte dessa concepção é a permissão à experimentação, à livre expressão com postura crítica sobre as reflexões contemporâneas. Fizemos a bagunça no zoológico. Algumas vezes brincamos e em outras nos expomos. Pelo o quê, não sei ao certo. Acho que pela vontade de estar junto entre amigos. Pela necessidade de se expressar. O contato com os do grupo, com os leitores e consigo mesmo. O exercício às vezes fácil, às vezes difícil, algumas divertido, muitas vezes revelador, de se estar fazendo uma parada muito séria como se estivesse brincando, ou uma grande brincadeira como se fosse a coisa mais séria a se fazer.

Eu não sei mais o que dizer.

A alegria de ver este projeto publicado em livro é de lermos e pensarmos que talvez o que estamos criando é um documento do que é viver nesses tempos turvos e caóticos de agora. A ideia é simples mas a missão é complexa. Todos os objetivos são loucos.

Gabriel Pardal